Meu carneiro
é bíblico
Branco
de olho azul
Cego
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ALVIM, Francisco. O metro nenhum. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 19.
21 de setembro de 2011
Fragilidade
Hora suave
Aranhas suam frios
fios
Mortalha
de alhos?
Réstias debruçadas
de paredes de cal,
brancas
Cacos de ar
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ALVIM, Francisco. O metro nenhum. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 15.
Aranhas suam frios
fios
Mortalha
de alhos?
Réstias debruçadas
de paredes de cal,
brancas
Cacos de ar
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ALVIM, Francisco. O metro nenhum. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 15.
29 de maio de 2011
VENTÓS, Xavier Rubert de. Deus, entre outros inconvenientes. Tradução de Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. p. 9.
A experiência me diz que, quando todo mundo se alia para criticar alguma coisa, muitas vezes o que está em jogo é mais a cumplicidade do grupo do que a objetividade do julgamento.
3 de abril de 2011
WOLFF, Fausto. A milésima segunda noite. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. p. 7.
Não há razão para escrevermos um livro se não o pretendermos grande. Desde que aprendi a ler e comecei a escrever histórias o fiz por vaidade - é nisso que o homem se resume, em vaidade e autopiedade -, mas inconscientemente pretendia também dizer aos outros: olhem, eu observei, comparei e cheguei a uma conclusão. Escrevendo, enriqueço meu espírito, aprendo sobre mim mesmo e, aprendendo sobre mim mesmo, apreendo vocês e o mundo. Claro que eu não pensava nisso desse jeito. Tudo estava - como está até hoje - muito confuso.
30 de novembro de 2010
Otimismo
Nas Mémoires de Trévoux (fevereiro de 1737), introduziu-se o termo optimisme ou "sistema do optimum" para designar a doutrina defendida por Leibniz na Teodicéia: o mal que pode ser encontrado na criação de Deus não deve ser julgado isoladamente, mas em relação com a totalidade da criação, a qual, em virtude da infinita bondade de Deus, não pode ser melhor do que é. A criação é, pois, "ótima", isto é, o mundo é um optimum. O otimismo é nesse caso um simples reconhecimento da “otimidade” do mundo.
Voltaire intitulou Candide, ou l’optimiste o romance no qual, entre outras coisas, se zomba das ideias, ou pronunciamentos, do doutor Pangloss, que, segundo se supõe, representa a concepção leibniziana , ou derivada de Leibniz, e toda forma de “teodicéia”: diante de desgraças e crueldades em série, o doutor Pangloss julga que tudo anda bem e que, se não tivesse ocorrido o mal que ocorreu, não teria vindo o bem que se celebra. Assim, portanto, tudo está bem: tout est bien dans le meilleur des mondes.
Visto que o pessimismo é o contrário do otimismo, caberia pensar que se Voltaire ataca este último é porque se manifesta em favor do primeiro. Contudo, embora Voltaire olhe a história com "pessimismo", como uma sucessão de desgraças, estas foram produzidas pela imbecilidade humana. As coisas podem melhorar eliminando-se a imbecilidade e a ignorância e fomentando a razão, que se ocultou, temerosa, no fundo de um poço, e é preciso fazê-la sair de lá. Voltaire é, nesse sentido, um "meliorista", ainda que caibam dúvidas sobre a intensidade desse "meliorismo" diante do pessimismo suscitado pelo terremoto de Lisboa, do qual ele dá testemunho no Poème sur le desastre de Lisbonne, de 1756.
As tendências ao pessimismo ou ao otimismo são anteriores à introdução dos vocábulos correspondentes. São também, em muitos casos, específicas, ou seja, relativas a determinado ponto ou fim. Assim, por exemplo, Hobbes é um pessimista no que se refere à condição humana em estado natural, enquanto Rousseau é um otimista no que diz respeito à mesma condição. Por outro lado, Hobbes é ao menos "meliorista" com relação às possibilidades de dirigir a condição humana por meio de um Estado autoritário que neutralize o egoísmo de cada indivíduo, e Rousseau é também pelo menos "meliorista" com relação às possibilidades de eliminar as perversões introduzidas pela "cultura" e de restabelecer a bondade natural do homem.
Pode-se distinguir entre um otimismo racional, e até racionalista; um otimismo temperamental, que não precisa buscar justificações racionais (ou que as encontra facilmente); e um otimismo ativo, ou pragmático, que se funda numa concepção libertadora da ação. Nenhum desses otimismos tem muitos defensores entre os filósofos; as manifestações de otimismo são escassas em comparação com as várias formas de intenso pessimismo que se manifestaram no século XIX (Schopenhauer, Eduard von Hartmann etc.), pessimismo que, depois de um período de "confiança" (ao menos entre certas camadas sociais no Ocidente), ressurgiu em estreita relação com as preocupações concernentes a possíveis catástrofes ecológicas, ou eco-catástrofes.
É possível ser um otimista "em geral", embora se seja pessimista com relação a aspectos particulares. Deste ponto de vista, as concepções da história segundo as quais esta se acha regida por leis, e especialmente por leis de aperfeiçoamento, são otimistas, a despeito de quaisquer formas de pessimismo e de crítica que possam ser encontradas em alguma etapa determinada.
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MORA, J. Ferrater. Dicionário de filosofia (tomo III). São Paulo: Loyola, 2001. p. 2180-1.
21 de outubro de 2010
SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 13.
A humanidade permanece, de forma impenitente, na caverna de Platão, ainda se regozijando, segundo seu costume ancestral, com meras imagens da verdade.
Diálogo
"Você se casou?"
"Não tiveram tempo..."
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QUINTANA, Mario. Caderno H. São Paulo: Glogo, 2006. p. 162.
Dolorosa interrogação
Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos e não aguenta os que continuam vivos?
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QUINTANA, Mario. Caderno H. São Paulo: Globo, 2006. p. 183.
13 de outubro de 2010
And death shall have no dominion
And death shall have no dominion.
Dead men naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.
And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.
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THOMAS, Dylon. Collected poems 1934-1953. London: Phoenix Books, 2005. p. 56.
2 de outubro de 2010
Meio-dia
Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.
O sol no alto, fundo, enorme, aberto,
Tornou o céu de todo o deus deserto.
A luz cai implacável como um castigo.
Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso solitário e antigo
Parece bater palmas.
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ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Mar. Lisboa: Caminho, 2004. p. 17.
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Sophia de Mello B. Andresen
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