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27 de maio de 2016
Canção do dia de sempre
Tão bom viver dia a dia...
A vida, assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
como essas nuvens do céu...
E só ganhar, toda a vida,
inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
das outras vezes perdidas,
atiro a rosa do sonho
nas tuas mãos distraídas...
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QUINTANA, Mário. Canção do dia de sempre. In: FERRAZ, Eucanaã. A lua no cinema e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 124.
21 de outubro de 2010
Diálogo
"Você se casou?"
"Não tiveram tempo..."
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QUINTANA, Mario. Caderno H. São Paulo: Glogo, 2006. p. 162.
Dolorosa interrogação
Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos e não aguenta os que continuam vivos?
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QUINTANA, Mario. Caderno H. São Paulo: Globo, 2006. p. 183.
27 de julho de 2010
Emergência
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
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QUINTANA, Mario. Apontamentos de história sobrenatural. Rio de Janeiro: Globo, 1987.
27 de janeiro de 2010
S. O. S.
O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar.
Quem a encontra
Salva-se a si mesmo...
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QUINTANA, Mario. O livro de haicais. São Paulo: Globo, 2009.
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