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7 de setembro de 2012

O poeta cego

Eis o poeta cego.
Abandonou-o seu ego.
Abandonou-o seu ser.
Sem ser nem ver ele verseja.

Bem antes do amanhecer
Em seus versos talvez se veja
Diverso de tudo o que seja
Tudo que almeja ser.


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CICERO, Antonio. Porventura. Rio de Janeiro: Record, 2012. p. 13.

16 de agosto de 2012

Diamante

O amor seria fogo ou ar
em movimento, chama ao vento;
e no entanto é tão duro amar
este amor que o seu elemento
deve ser terra: diamante,
já que dura e fura e tortura
e fica tanto mais brilhante
quanto mais se atrita, e fulgura,
ao que parece, para sempre:
e às vezes volta a ser carvão
a rutilar incandescente
onde é mais funda a escuridão;
e volta indecente esplendor
e loucura e tesão e dor.


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CICERO, Antonio. Porventura. Rio de Janeiro: Record, 2012. p. 27.

28 de julho de 2009

CICERO, Antonio. In: As raças no caldeirão. 28/07/2009. http://antoniocicero.blogspot.com/2009/07/as-racas-no-caldeirao.htm

O caráter acidental e contingente de sua [do mestiço] configuração racial não pode deixar de lhe revelar o caráter igualmente acidental e contingente de toda relação entre "raça" e cultura. Para ele, está na cara, de fato, algo que, de direito, ninguém atualmente pode deixar de saber: que os racismos, nacionalismos e fundamentalismos que hoje por todos os continentes tendem a se reafirmar com virulência não passam, em última análise, de tentativas cínicas ou desesperadas de renegar a consciência social - generalizada e aguçada em consequência das recentes revoluções na informática, nas comunicações e nos transportes - do caráter acidental, contingente e relativo de fronteiras, horizontes, crenças, religiões, totens, tabus, costumes, tradições, valores, culturas, etnias, nações, mundos etc.