10 de agosto de 2009
Alegria
As coisas alegres que provei
Eu mesmo as inventei.
Pelas graças espontâneas de Deus
Esperarei.
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WOLFF, Fausto. O pacto de Wolffenbüttel e a recriação do homem. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 23.
SIMENON, Georges. Maigret e o ladrão preguiçoso. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 11-2.
Houve um ruído forte, agudo, não longe da sua cabeça e Maigret se pôs a agitar, entre aborrecido e assustado, um dos braços fora dos lençóis. Ele tinha consciência de estar na cama, consciência também da presença da mulher que, mais acordada que ele, esperava na obscuridade sem nada ousar dizer.
Durante alguns segundos, pelo menos, ele se enganou sobre a natureza desse ruído insistente, agressivo, imperioso. E era sempre no inverno, quando fazia muito frio, que se enganava desse modo.
Parecia-lhe que era o despertador que tocava, embora desde o seu casamento não houvesse mais despertador na mesa de cabeceira. A coisa remontava a um tempo distante, à infância, quando ele era menino de coro e ajudava na missa das seis da manhã.
No entanto, também ajudara na missa durante a primavera, o verão, o outono. Por que a lembrança que restou e lhe voltava automaticamente era uma lembrança de obscuridade, de frio, de dedos adormecidos, de calçados que, no caminho, faziam estalar uma película de gelo?
Ele derrubou o copo, como acontecia com frequência, e a sra. Maigret acendeu a lâmpada de cabeceira no momento em que a mão dele atingia o telefone.
"Maigret... Sim..."
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Georges Simenon,
Primeiros parágrafos
WOOLRICH, Cornell. Impulso. In: ______. Janela indiscreta e outras histórias. [trad. Rubens Figueiredo]. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 168.
A covardia podia trazer como consequência correr mais riscos do que a coragem mais atrevida.
A realidade e a imagem
O arranha-céu sobe no ar puro lavado pela chuva
E desce refletido na poça de lama do pátio.
Entre a realidade e a imagem, no chão seco que as separa,
Quatro pombas passeiam.
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BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
7 de agosto de 2009
Despalavra
Hoje eu atingi o reino das imagens, o reino da
despalavra.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades
humanas.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades
de pássaros.
Daqui vem que todas as pedras podem ter qualidades
de sapo.
Daqui vem que todos os poetas podem ter qualidades
de árvore.
Daqui vem que os poetas podem arborizar os pássaros.
Daqui vem que todos os poetas podem humanizar
as águas.
Daqui vem que os poetas devem aumentar o mundo
com as suas metáforas.
Que os poetas podem ser pré-coisas, pré-vermes,
podem ser pré-musgos.
Daqui vem que os poetas podem compreender
o mundo sem conceitos.
Que os poetas podem refazer o mundo por imagens,
por eflúvios, por afeto.
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BARROS, Manoel de. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Record, 2000.
4 de agosto de 2009
28 de julho de 2009
CICERO, Antonio. In: As raças no caldeirão. 28/07/2009. http://antoniocicero.blogspot.com/2009/07/as-racas-no-caldeirao.htm
O caráter acidental e contingente de sua [do mestiço] configuração racial não pode deixar de lhe revelar o caráter igualmente acidental e contingente de toda relação entre "raça" e cultura. Para ele, está na cara, de fato, algo que, de direito, ninguém atualmente pode deixar de saber: que os racismos, nacionalismos e fundamentalismos que hoje por todos os continentes tendem a se reafirmar com virulência não passam, em última análise, de tentativas cínicas ou desesperadas de renegar a consciência social - generalizada e aguçada em consequência das recentes revoluções na informática, nas comunicações e nos transportes - do caráter acidental, contingente e relativo de fronteiras, horizontes, crenças, religiões, totens, tabus, costumes, tradições, valores, culturas, etnias, nações, mundos etc.
O coração
O coração também é um metafísico:
Estremece por formas invisíveis,
Anda a sonhar uns mundos encantados,
E a querer umas coisas impossíveis...
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BARRETO, Tobias. Antologia dos poetas brasileiros: poesia da fase romântica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
17 de julho de 2009
TALESE, Gay. Vida de escritor. [trad. Donaldson M. Garschagen]. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 403.
Estarei sofrendo de "bloqueio de escritor"? Não, você não está sofrendo "bloqueio de escritor", está apenas mostrando bom senso ao não publicar nada por enquanto. Você está mostrando consideração para com os leitores ao não lhes dar texto ruim. Muitos escritores deviam fazer o que você está fazendo -- não escrever. Já existe muito texto ruim por aí, para que mais? As estantes dos Estados Unidos estão cheias de livros de segunda classe de escritores de primeira. Muitos deles têm um público cativo e por isso os editores publicam suas besteiras. Eles publicam tudo o que vende. Mas os escritores deviam ficar bloqueados. Seria uma coisa boa para a reputação deles, para os custos de produção das editoras e para os padrões do público leitor em geral. Deveria haver um prêmio Nacional de literatura oferecido anualmente a certos escritores por não escrever.
18 de maio de 2009
Grafito arcaico num muro de Pompeia
Nada dura para sempre;
Mesmo brilhando como ouro,
O sol tem que mergulhar no mar.
A lua também desapareceu
Embora reluzisse até há pouco.
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BUTTERWORTH, Alex & LAURENCE, Ray. Pompeia: a cidade viva. Tradução de Marcelo Mendes e Gabriela Máximo. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 11.
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